
Há camas tão impecáveis que quase pedem licença para serem usadas. Prefiro aquelas que nos convidam a ficar. Onde cabem mais um travesseiro, um livro aberto, uma conversa que se prolonga e, de repente, a família inteira. A cama é um dos poucos lugares da casa onde podemos nos permitir não fazer absolutamente nada. E isso já é um pequeno luxo.
Gosto da ideia da cama como um ninho. Um espaço de recolhimento, protegido do mundo, mas aberto a quem queremos por perto. Um lugar onde o tempo muda de ritmo e a intimidade dispensa cerimônias.
Mas existe outra dimensão do conforto que me interessa: a beleza.
Estamos habituados a associar uma cama confortável à maciez dos tecidos, ao volume das cobertas e ao prazer do toque. Tudo isso importa. Mas o que vemos também participa dessa experiência. Uma cor pode nos trazer tranquilidade, um desenho pode despertar uma lembrança e uma estampa pode transformar o quarto em um lugar onde reconhecemos um pouco de nós mesmos.

Se a cama é um ninho, aquilo que a cobre participa diretamente da atmosfera que criamos para habitá-lo. A escolha da estampa não é apenas decorativa. É também a escolha da imagem com que se adormece.
Talvez seja por isso que eu ache tão interessante o universo das roupas de cama. Ao contrário de um sofá ou de uma poltrona, que dificilmente mudamos de aparência de uma semana para outra, a cama pode ganhar outra personalidade com um simples gesto: trocar aquilo que a cobre.
Foi esse pensamento que me veio ao conhecer a coleção Capas Icônica de Duvets. Para celebrar sua trajetória, a Entreposto recorreu à própria memória e selecionou seis desenhos de seu repertório têxtil para vestir também a cama.
Nessa mudança de lugar, a estampa ganha outra dimensão. O desenho se expande, ganha presença e se transforma em paisagem.
O azul e branco da Lótus Denim sugere frescor, enquanto a Flor Portland, com suas flores sobre um fundo noturno, cria uma atmosfera mais envolvente. O Ikat Agapanto traz o ritmo de um desenho inspirado na tradição ikat; o Verdure Nouveau nos transporta para uma paisagem de folhagens. Já o Toile de Jouy Cedro convida a descobrir detalhes, enquanto o Floral Toulouse abre espaço para uma delicadeza mais colorida.

São diferentes maneiras de vestir a mesma intimidade. E talvez essa seja a parte mais interessante da coleção: desenhos que já habitaram outros espaços da casa encontram uma nova vida justamente no lugar mais pessoal de todos.
Não precisamos fazer da cama um cenário impecável de hotel. Podemos preferir uma superfície coberta de flores, um jardim imaginário, a intensidade de uma cor ou um desenho que nos faça lembrar de uma viagem. A beleza desse espaço está justamente na liberdade de escolher aquilo que nos faz sentir bem.
Há quem encontre conforto na contenção, quem prefira estar rodeado de flores e quem goste de viver entre cores e desenhos. Nenhuma dessas escolhas precisa ser explicada.
No fim, uma cama bonita é aquela que nos dá vontade de chegar mais perto, puxar a coberta e permanecer ali um pouco mais.
Afinal, de que adianta uma cama irresistível se não pudermos nos render a ela?
Mônica Barbosa